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Padre Guido

Embora conhecido como padre, Guido Vidal França Schäffer era médico e seminarista quando faleceu em 2009, aos 34 anos, enquanto surfava no mar do Recreio dos Bandeirantes. Fiéis deixam no local placas de mármore em reconhecimento ao seu trabalho espiritual e às graças alcançadas. Morador de Copacabana, Guido poderá se tornar o mais novo santo brasileiro. O processo de canonização já está em andamento.

“A estas palavras, Jesus falou: Ainda te falta uma coisa: vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; depois vem e segue-me.” (Lc 18, 22). Guido, ao meditar estas palavras, não tendo nada em seu nome a não ser seu diploma de médico, decidiu dedicar a medicina aos pobres. E, deixou casa, pai, mãe, família, amigos, para seguir Jesus.

Nasceu em 22 de maio de 1974, na cidade de Volta Redonda, RJ, Brasil, filho de Guido Manoel Vidal Schäffer e de Maria Nazareth França Schäffer. Desde o nascimento residiu com os pais na cidade do Rio de Janeiro, no bairro de Copacabana.

Os traços que marcam a infância e adolescência do Guido são de uma criança e um jovem saudável, com gosto pela praia, pelo mar, pelos esportes. De comportamento dócil, fazia amigos com facilidade. Seus pais católicos fervorosos levavam os filhos às missas dominicais e os ensinavam a rezar todas as noites. O pai de Guido é médico e sua mãe é membro da Comunidade Bom Pastor (RCC), tendo trabalhado voluntariamente pela evangelização nas escolas públicas. 

Cursou Medicina na Faculdade Técnica Educacional Souza Marques (1993 a 1998), no Rio de Janeiro. 

No ano que se formava em medicina iniciou o Grupo Fogo do Espírito Santo com o Pe. Jorjão (grupo de oração da RCC, na Paróquia de Nossa Senhora da Paz, Ipanema).

Aproximou-se da pastoral da saúde quando trabalhava como médico na Santa Casa de Misericórdia. Duas integrantes da pastoral visitavam os enfermos e ficaram interessadas pela maneira carinhosa como aquele médico atendia os pacientes. Convidaram-no a participar da missa, ele aceitou e logo passou a ajudá-las. 

Uma semana depois conheceu as irmãs da ordem fundada por Madre Teresa de Calcutá (Missionárias da Caridade), cuja missão é cuidar dos pobres. Compreendeu que Deus ouvira seu pedido e estava lhe dando a direção da medicina que Ele queria. Ofereceu seu trabalho às irmãs da Madre Teresa e começou a atender os pobres de rua. Assim ao trabalho da pregação da Palavra de Deus no grupo de oração, se somou o trabalho como médico junto aos irmãos de rua.  

Levou médicos da Santa Casa para ajudarem as Missionárias da Caridade.

Uma dessas médicas, vendo o trabalho que realizavam o incentivou a ler a vida de São Francisco de Assis (“O irmão de Assis”, de Inácio Larrañaga), livro que foi uma grande luz de Deus em sua vida. 

A Irmã Caritas (MC) que acompanhou o trabalho do Guido junto à casa das Missionárias da Caridade na Lapa escreveu: “Sua única preocupação era salvar almas. Levar todos a um encontro pessoal com Cristo. Para isso não media esforços. Quando atendia os irmãos de rua, não só zelava pela saúde do corpo, mas e sobretudo da alma. A nenhum deles deixou de falar de Cristo. Muitos deles saiam do consultório em lágrimas e profundamente tocados. Orava por e com cada um e os convidava a receber os sacramentos como fonte de graça e comunhão com Deus.

Chamado ao sacerdócio, foi acompanhado pelo bispo auxiliar do Rio de Janeiro, Dom Karl Josef Romer. Cursou Filosofia (2002 a 2004) e Teologia (2006/2007), no Instituto de Filosofia e Teologia do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro. 

Em 2008, ingressou no Seminário São José (Rio de Janeiro), para cursar os dois últimos anos do curso de teologia, pois é necessário um período mínimo de vida no seminário para a ordenação sacerdotal. 

Segundo testemunho de seus colegas de filosofia e teologia na Faculdade de São Bento, Guido nunca falava mal de ninguém e quando os encontrava comentando episódios que haviam causado revolta, com habilidade desviava o assunto e os levava para uma oração. Assim, não permitia que se cultivassem inimizades e semeava a paz em seu ambiente de estudo. Além disso, Guido possuía profundo conhecimento das escrituras sagradas e uma memória prodigiosa, citando de cor os textos e sabendo sua exata localização, auxiliando a diversos colegas em seus trabalhos e até aos professores durante as aulas. Observaram também seu grande amor pela eucaristia, que em monografia descreveu como remédio para a alma e para o corpo, utilizando na explicação seus conhecimentos médicos.

Guido pregava o que vivia por isso sua pregação era convincente. Ele era autêntico.

É lembrada por todos os que conviveram com o Guido em Queluz, a dedicação dele aos pobres e ao próximo. Seja atendendo gratuitamente no posto médico, seja orando por todos os que lhe pediam, escutando e aconselhando. 

Recordam das vezes que foram levar comida aos pobres de rua à noite, da forma como o Guido falava com eles, olhando-os nos olhos, conversando com carinho, e da alegria que experimentaram neste serviço. Numa dessas idas, fazia muito frio e um dos três moradores de rua não tinha agasalho, o Guido tirou seu casaco (um casaco de couro muito bonito) e o deu ao pobrezinho, que pulou de alegria. 

Guido faleceu em 1 de maio de 2009, vítima de uma contusão na nuca que gerou desmaio e afogamento, enquanto surfava na praia da Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. 

A muitos amigos Guido havia externado um desejo: se Deus lhe permitisse, gostaria de morrer no mar, onde sentia a presença de Deus a lhe falar na natureza.

 

Fontes:

guidoschaffer.com.br

facebook.com/GuidoVidalFrancaSchaffer

odia.ig.com.br

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